O procurador-geral da República, Pinto Monteiro, considerou, este sábado, que «não existem elementos probatórios que justifiquem a instauração de procedimento criminal» contra José Sócrates. O PS vai manter-se em silêncio, mas o Bloco entende que há mais questões por responder, já o PCP considera que a investigação deve ir até ao fim.
O procurador-geral da República, Pinto Monteiro, revelou, este sábado, em comunicado que «não existem elementos probatórios que justifiquem a instauração de procedimento criminal» contra José Sócrates, no âmbito do processo "Face Oculta".
Contactado pela TSF, o gabinete do primeiro-ministro afirmou que por enquanto não tenciona reagir, já o PS garantiu que não se pronunciará sobre o comunicado de Pinto Monteiro.
O PSD remete quaisquer declarações sobre esta questão para a próxima semana, durante as jornadas parlamentares dos social-democratas, em Aveiro.
O Bloco de Esquerda entende, referiu à TSF a deputada Helena Pinto, que ainda há muitas questões que ficam por responder, que põe em causa os fundamentos da democracia.
«É preciso que exista um esclarecimento cabal, o país tem que saber se existem ou não sacos azuis em empresas públicas, se existiam ou existem qualquer tipo de estratégias do Governo em articulação com a banca para promover grupos de comunicação social, se houve tentativas ou pressões para a demissão de gestores públicos. Portanto, no campo político ainda existem questões de uma grande premência», sublinhou a bloquista.
O deputado do PCP, José Neto, não se quis pronunciar sobre casos em concreto, mas considera que é necessário ir até ao fim em qualquer investigação.
«Em todas as circunstâncias e sejam quem forem as pessoas envolvidas, para nós [PCP] seria muito grave que em quaisquer formalismos legais viessem a determinar a anulação definitiva de matéria de prova que fosse indispensável à descoberta de eventuais crimes», destacou José Neto.
O CDS-PP, também contactado pela TSF, remeteu para este domingo uma reacção ao comunicado do procurador-geral da República, Pinto Monteiro.