O concurso público para compra de material de sucata do Exército, no qual a empresa O2 - Tratamento de Limpezas Ambientais, de Manuel Godinho, ganhou seis lotes, foi «totalmente transparente», garantiu este sábado o porta-voz do Exército.
«O concurso público nacional para compra de material de sucata do Exército que envolveu um total de 14 empresas, dos quais a empresa O2 - Tratamento de Limpezas Ambientais ganhou seis lotes, foi totalmente transparente e cumpriu todas as normas e procedimentos definidos na lei», disse à agência Lusa o porta-voz do Exército, Tenente Coronel Perdigão.
O semanário "Expresso" e o jornal diário "Público" noticiaram hoje que a empresa de Manuel Godinho, a O2, já depois de o principal detido do processo 'Face Oculta' estar detido, ganhou o concurso público de seis lotes de material de sucata do Exército.
«O concurso público foi feito a 24 de Setembro, houve 14 empresas concorrentes, foram entregues propostas em carta fechada e na quinta-feira passada estas foram abertas na presença dos concorrentes. Ninguém reclamou e não pediu as actas, mas o Exército vai enviá-las esta semana para todos os concorrentes.»
O porta-voz do Exército disse ainda à Lusa que o «Exército negoceia com empresas e não com pessoas».
Adiantou também que para serem admitidas a concurso as empresas «não podem ter dívidas nem ao fisco, nem à segurança social».
A PJ desencadeou a 28 de Outubro a operação Face Oculta em vários pontos do país, no âmbito de uma investigação relacionada com alegados crimes económicos de um grupo empresarial de Ovar que integra a O2-Tratamento e Limpezas Ambientais, a que está ligado Manuel José Godinho, que se encontra em prisão preventiva.
No decurso da operação foram efectuadas cerca de 30 buscas, domiciliárias e a postos de trabalho, e 15 pessoas foram constituídas arguidas, incluindo Armando Vara, ex-ministro socialista e vice-presidente do BCP, que suspendeu funções, José Penedos, presidente da REN-Redes Eléctricas Nacionais, e o seu filho Paulo Penedos, advogado da empresa SCI-Sociedade Comercial e Industrial de Metalomecânica SA, de Manuel José Godinho.