Os social-democratas avançaram, esta quinta-feira, com um projecto-lei para revogar o contrato de concessão do terminal de contentores de Alcântara ao grupo Mota Engil. Já os comunistas pedem o regresso da gestão do porto de Lisboa à esfera pública. O Bloco prepara-se para também apresentar um projecto-lei contra esta concessão.
O PSD quer travar através de um projecto-lei o prolongamento da concessão do terminal de contentores de Alcântara à Liscont - empresa do grupo Mota Engil.
O deputado Luís Rodrigues revelou à TSF que o projecto-lei já foi entregue, esta tarde, no Parlamento e explicou os motivos desta medida dos social-democratas.
«Consideramos que este processo veio lesar gravemente o erário público, é um negócio no mínimo ruidoso para o Estado. E não somos só nós, o relatório mais recente do Tribunal de Contas sobre este contrato de concessão critica claramente o Governo e as medidas que tomou», afirmou Luís Rodrigues.
«Em defesa do interesse público não tinha outro caminho se não apresentar este projecto-lei de revogação do contrato que prorroga o prazo de concessão do terminal de contentores», acrescentou.
O deputado comunista, Miguel Tiago, explicou em declarações à TSF que querem ir mais longe que o PSD e pedem o regresso da gestão do porto de Lisboa à esfera pública.
«O PCP propõe que findo o actual contrato de concessão a privados do terminal de Alcântara a gestão do porto deve voltar à esfera pública, neste caso à administração do porto de Lisboa», afirmou Miguel Tiago.
O Bloco de Esquerda vai apresentar também na próxima semana um projecto-lei por entender, revelou à TSF a deputada Helena Pinto, que é preciso reverter a situação por ser um negócio mau para o Estado.
«Não há nada em contrário para que se consiga uma posição maioritária na Assembleia da República para voltar atrás naquilo que ficou conhecido como um grande negócio em favor da Liscont», destacou a deputado do Bloco.
Contactado pela TSF, o lider parlamentar do CDS-PP, Pedro Mota Soares, referiu apenas que o partido está a analisar esta questão para também tomar uma posição e avançar com uma iniciativa no Parlamento.