Funcionários da Estradas de Portugal e da Empordef, uma empresa do sector da defesa, terão sido subornados para favorecer o empresário Manuel Godinho, até agora o único detido do processo “Face Oculta”, na atribuição de contratos. A notícia é avançada pelo Jornal de Negócios desta terça-feira, que afirma ter tido acesso aos autos desta investigação.
No caso das Estradas de Portugal estará em causa a adulteração da pesagem de resíduos por um encarregado de uma obra na área de Viseu, sendo que o funcionário em causa terá recebido dinheiro em troca.
Confrontada pelo Jornal de Negócios, a empresa Estradas de Portugal confirma ter um contrato com a empresa O2 de Manuel Godinho desde Junho de 2008 e acrescenta que na sexta-feira foi aberto um processo de auditoria para averiguar se foi cometido algum acto ilícito.
Sobre a Empordef, são mencionados nos autos contactos entre Manuel Godinho e um vogal da indústria de desmilitarização da defesa para, em troca de compartidas, favorecer as suas empresas na adjudicação de contratos.
A Carris também vai avançar com uma auditoria interna, por causa de contratos celebrados entre 2004 e 2009, tendo em conta que Manuel Godinho ganhou quatro dos concursos para abate de autocarros.
Também a EDP e a Portucel confirmaram ao Jornal de Negócios a realização de uma auditoria.
Os CTT aparecem nos autos, mas apenas na lista de empresas que têm contratos com Manuel Godinho.
Os portos de Sines e de Setúbal e a capitania de Aveiro são referidos como instituições onde o empresário de Ovar teria pessoas de confiança.
José Penedos, que foi segunda-feira constituído arguido, terá recebido presentes de Natal de Manuel Godinho durante cinco anos.
O presidente da Rede Eléctrica Nacional (REN) disse ao Jornal de Negócios que recebeu presentes de muita gente sem nenhum significado.
Os interrogatórios aos envolvidos no processo “Face Oculta” vão ser retomados na quinta-feira.