Paulo Penedos, filho do presidente da Rede Eléctrica Nacional (REN) e antigo candidato à liderança do PS, confirmou à TSF ser um dos 13 arguidos no âmbito do processo "Face Oculta", juntando-se assim ao antigo ministro Armando Vara e ao empresário Manuel Godinho.
Paulo Penedos terá pedido 270 mil euros como alegada contrapartida por negócios com a REN, de acordo com o Jornal de Notícias desta quinta-feira.
Ouvido pela TSF, Paulo Penedos confirmou ter sido constituído arguido mas apenas porque é advogado de uma das empresas do empresário Manuel Godinho, o único detido nesta operação.
Segundo o JN, para além de Armando Vara e Paulo Penedos, os restantes arguidos são altos quadros de sociedades de capitais públicos.
A RTPN, o Correio da Manhã e o JN avançam que a Judiciária tem a gravação de um telefonema em que Armando Vara terá pedido dez mil euros em notas a Manuel Godinho como alegada forma de compensação por informações sobre a forma de obter contratos com empresas públicas.
O único arguido detido pela Policia Judiciária, no âmbito da operação “Face Oculta”, desencadeada pelo Departamento de Investigação Criminal de Aveiro da PJ, deve ser ouvido esta quinta-feira em tribunal.
Os restantes doze só deverão ser interrogados por um juiz de instrução durante o mês de Novembro.
Manuel Godinho, o único arguido, é presidente de um grupo empresarial de Ovar e terá alegadamente obtido favores em negócios com empresas públicas e participadas pelo Estado, como a REN, a Refer e a Galp.
As empresas de Manuel Godinho estão ligadas ao sector das sucatas e dos resíduos industriais e estão no centro da operação da PJ, que na quarta-feira fez buscas em mais de 30 locais em várias cidades do país.
A operação da PJ começou há vários meses e Pinto Monteiro, Procurador-Geral da República, não afasta a possibilidade de serem feitas mais buscas.