Os empresários portugueses, que têm viajado com o Presidente da República e com o primeiro-ministro não aproveitam para desenvolver negócios com empresários locais, mas com outros empresários da comitiva, revela um estudo universitário divulgado, na edição desta segunda-feira, pelo Jornal de Notícias (JN).
Em vez de estabelecer contactos com empresários dos países
que estão a visitar, a maioria dos empresários portugueses
prefere manter as redes de negócio dentro da própria visita oficial.
Ou seja, os empresários aproveitam as visitas organizadas pelo
Presidente da República e pelo primeiro-ministro para desenvolver negócios com outros empresários da comitiva.
Esta é uma das conclusões de um estudo realizado por André Caiado, da Faculdade de Economia do Porto, que analisou 12 visitas oficiais, entre 2005 e 2008.
Ao Jornal de Notícias, o autor deste estudo defende que tanto os empresários como o Estado devem repensar o modelo de funcionamento das visitas oficiais.
Por um lado, o Estado devia criar critérios para a escolha dos participantes. André Caiado vai mais longe e considera que «parece não haver qualquer critério definido».
O autor entende ainda que há uma lacuna no facto de não existir
qualquer tipo de avaliação sobre a utilidade destas visitas, que são, sublinha o estudo, financiadas por fundos públicos.
O estudo refere ainda que os empresários não se preparam tanto como deviam e podiam, por exemplo, tentar estabelecer contactos com antecedência nos países que vão visitar.
Aliás, segundo este estudo, os aspectos menos valorizados das visitas oficiais foram a necessidade de adquirir informação sobre concorrentes, celebrar contratos e adaptar ou planear a criação de produtos ou serviços para o mercado visitado.