O primeiro-ministro acusou, este sábado, os sindicatos afectos à CGTP de se deixarem instrumentalizar pelos interesses eleitorais do PCP e do Bloco de Esquerda. José Sócrates lamentou ainda que as manifestações se limitarem ao «insulto pessoal».
Confrontado pelos jornalistas no final de três dias de visita oficial a Cabo Verde sobre a manifestação da CGTP, que reuniu cerca de 200 mil pessoas em Lisboa na sexta-feira, segundo os sindicatos, José Sócrates acusou as organizações sindicais de se «deixarem instrumentalizar» na convocação de manifestações contra o Governo «pelo PCP e Bloco de Esquerda».
«Isso não é positivo, porque acho que as organizações sindicais devem fazer manifestações para defender os interesses dos seus associados e não para defender os interesses de partidos que vão concorrer a eleições dentro de seis meses», afirmou o Chefe do Governo.
O primeiro-ministro recusou-se ainda a comentar o número de participantes na manifestação de sexta-feira, preferindo discordar «dos dirigentes sindicais que organizam manifestações» do género, por considerar que não são «solução para nenhum dos problemas».
O líder do executivo defendeu que o seu Governo «fez reformas da maior importância em áreas como as da Segurança Social, administração pública e educação» e lamentou «que estas reformas não tenham sido acompanhadas pelos sindicatos», numa alusão a alguns dos motivos de protesto inerentes à manifestação da CGTP.
«Lamento que nessas manifestações não existam argumentos, mas apenas acusações e insultos. Lamento que organizações sindicais se limitem ao insulto e ao insulto pessoal, chamando-me mentiroso. Há quatro anos que não fazem outra coisa que não seja chamar mentiroso ao primeiro-ministro. Acho que isso não é um grande argumento a favor das suas teses», acrescentou.