Todos os partidos da oposição criticaram, esta segunda-feira, as declarações de José Sócrates na primeira entrevista que deu em 2009. A maioria dos políticos apontou o dedo à postura do primeiro-ministro em relação à crise, com o BE a dizer que a entrevista mostrou um Chefe do Governo «atrapalhado».
Numa reacção à entrevista do primeiro-ministro à SIC, o vice-presidente do PSD considerou que ficaram a descoberto os defeitos do Chefe do Governo, como a «arrogância», na medida em que Sócrates «persistiu na afronta ao Presidente da República, num momento de grave crise económica e financeira».
Além disso, continuou Aguiar Branco, a entrevista revelou «a incapacidade» do primeiro-ministro, já que confessou que o Orçamento de Estado que apresentou para 2009 é «absolutamente irrealista».
Para o social-democrata, Sócrates mostrou também a sua «total insensibilidade» em relação às Pequenas e Médias Empresas (PME's).
Na opinião de Pedro Mota Soares, do CDS-PP, o primeiro-ministro falhou naquele que deveria ter sido o seu principal objectivo, ou seja, oferecer «segurança» aos portugueses.
Sócrates «confirmou que Portugal entrará, infelizmente, em recessão, ao contrário do que o Governo sempre tinha afirmado» e isso é a prova de que o plano de combate à crise do Executivo tem «falhas», acrescentou o democrata-cristão.
Por seu lado, Carlos Gonçalves, membro da comissão política do PCP, considerou que o Governo começa a esconder-se atrás da crise e acusou o executivo socialista de persistir numa «política de serviço aos grandes interesses».
«O mesmo Governo que durante muito tempo se escondeu por trás da crise, dizendo que ela não existia, procura agora branquear as suas responsabilidades numa situação gravíssima que o país atravessa e que é anterior à própria crise internacional», disse.
O comunista afirmou ainda que Sócrates mostrou que vai prosseguir na mesma politica, a qual «acrescentará mais crise à crise».
João Semedo, do Bloco de Esquerda, preferiu sublinhar que a entrevista mostrou um «primeiro-ministro atrapalhado». Sócrates «teve dificuldade em encontrar razões para a situação económica do país, para o desemprego e para a profunda crise social» em que Portugal se encontra, considerou.
Na opinião do bloquista, o primeiro-ministro deu variadíssimas razões para os portugueses não renovarem a maioria absoluta do PS nas eleições legislativas deste ano.