A PJ do Porto anunciou, esta sexta-feira, a detenção de um homem suspeito de exercer medicina,durante 20 anos em Lousada, sem estar habilitado para o efeito. O auto-intitulado especialista em neuropsicológica clínica receitava comprimidos considerados perigosos para a Saúde.
O homem de 42 anos foi detido, esta sexta-feira, na sua casa da Lousada, sendo acusado de tráfico de estupefacientes, por prescrever e possuir um medicamento que só os verdadeiros médicos podem receitar e que apenas é vendido em farmácias.
Rui Nunes, coordenador de investigação criminal da Secção Regional de Investigação de Crime Económico e Financeiro, disse que o medicamento continha uma substância «perigosa, na medida em que os seus efeitos secundários são graves» se a sua administração «não for controlada por uma pessoa competente na área».
Apesar do falso médico ter uma vasta clientela, incluindo um grande número de crianças, segundo informações da PJ, até ao momento, não existem informações sobre danos em pessoas decorrentes da administração do medicamento em causa.
Apesar de não ter diploma de médico, o acusado tinha vários certificados de cursos «de pós-graduações em universidades portuguesas», para além de ter dados conferências em «encontros médicos», adiantou.
Rui Nunes frisou ainda que o falso médico tinha «credibilidade» junto do meio onde actuava», devido à «boa carteira de doentes» de que dispunha.
O falso médico, acusado de trafico de estupefacientes, usurpação de funções e falsificação de documentos, nomeadamente de receitas e atestados médicos, enfrenta agora uma moldura penal de quatro a doze anos de cadeia.
O indivíduo está ainda a ser ouvido em tribunal para lhe serem impostas eventuais medidas de coação.