O presidente polaco garantiu, esta quarta-feira, que só ratificará o Tratado de Lisboa se houver um novo referendo na Irlanda. Para os analistas, por trás deste gesto de Kaczynski está a intenção de levar o parlamento polaco a reforçar os seus poderes.
O presidente polaco garantiu, esta quarta-feira, que só ratificará o Tratado de Lisboa se houver um novo referendo na Irlanda, depois da vitória do “não” na consulta pública de 12 de Junho.
«Havendo um novo pronunciamento popular dos irlandeses, sem pressões externas, favorável ao texto, então não serão levantados obstáculos pela Polónia», afirmou Lech Kaczynski.
O parlamento polaco deu "luz verde" ao documento, que agora esbarra com a renitência presidencial à sua promulgação.
A Irlanda é o único país dos 27 Estados-membros constitucionalmente obrigado a referendar o Tratado de Lisboa, enquanto os outros optaram pela ratificação do texto.
A estratégia europeia é a da ratificação a 26, deixando a Irlanda confrontada com as responsabilidades decorrentes do seu referendo.
Ironicamente, o presidente polaco justificou-se alegando não querer violar o «princípio da unanimidade» que prevalece na União Europeia.
Para os analistas, por trás do gesto de Kaczynski está a intenção de levar o parlamento polaco a reforçar os seus poderes no processo de tomada de decisão relativamente às questões da UE.
Esta espécie de "chantagem" é olhada com as maiores reservas pelo primeiro-ministro polaco, o pró-europeu liberal Donald Tusk.
A concluir, Kaczynski disse preferir o Tratado de Nice em vigor ao de Lisboa: «Mas se a Europa quer mudar, quem sou eu para lutar contra um oceano», questionou.