A libertação dos presos políticos em todos os países do mundo, «incluindo os da União Europeia», é um dos apelos incluídos no manifesto "Em Defesa de Cuba", divulgado pela Rede em Defesa da Humanidade.
O movimento insurge-se contra a deturpação em torno «do falecimento do preso de delito comum» Orlando Zapata, que lamenta, e centra as suas críticas na resolução de 11 de Março do Parlamento Europeu (PE) sobre Cuba.
Entre os primeiros signatários, todos de naturalidade mexicana, inclui-se o sociólogo Pablo González Casanova, o escritor e professor universitário Victor Flores Olea e a socióloga e escritora Ana Esther Ceceña.
Os promotores da Rede em Defesa da Humanidade contestam os termos da declaração do PE, não admitindo que a morte de Zapata seja «deturpada com fins políticos muito distintos e contrários aos da defesa dos direitos humanos».
O documento denuncia o «apoio incondicional» das instituições europeias a um «processo de transição pacífica para uma democracia multipartidária em Cuba». Declaração definida como um «acto de interferência», que viola os princípios de «não intervenção e autodeterminação dos povos», para além de pressupor «um modelo único de democracia que se mostra cada vez mais insuficiente e questionável».
O manifesto "Em Defesa de Cuba" também argumenta que «a procura e o aprofundamento da democracia» e de «novas formas autenticamente representativas» não devem ser «necessariamente limitados ao pluripartidarismo».
Para os autores, a democracia multipartidária encobre o facto de as decisões sobre os grandes problemas mundiais serem com frequência «tomadas unilateralmente por pequenos grupos de interesses, com enorme poder sobre os regimes partidários».
Os signatários sublinham ainda que a resolução do PE pretende justificar «uma intromissão nos assuntos políticos internos do povo cubano», referem-se à «manipulação mediática» em torno do caso de Orlando Zapata e denunciam o «criminoso bloqueio» imposto à ilha.
Mesmo que «partilhando» as preocupações dos eurodeputados pelo respeito dos direitos humanos em Cuba, os membros da rede exortam para que este «seja extensivo a todos os países do mundo».
Assim, «convidam» os parlamentares a pronunciarem-se sobre o «fim da ocupação de Gaza e a perseguição ao povo palestiniano», ao «fim da ocupação do Iraque e do Afeganistão», ao «fim da dupla ocupação do Haiti», ao «encerramento da prisão de Guantánamo» e à entrega desse território a Cuba ou à »devolução das ilhas Malvinas à Argentina».
O texto conclui com um referência à necessidade de respeitar «os princípios universais da não intervenção acordados pelas Nações Unidas».