O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, assegurou, na segunda-feira, que os etarras radicados na Venezuela ao abrigo de um acordo assinado em 1989 entre os governos de Caracas e Madrid «não estão participando em nenhuma actividade terrorista».
«Estamos seguros de que eles não estão em actividades terroristas. São cidadãos venezuelanos. Se me demonstrassem [que têm vínculos com a ETA] seria outra coisa, mas não com manipulações», disse.
O presidente da Venezuela falava aos jornalistas a saída de um encontro com o seu homólogo bielorrusso, Alexander Lukashenko, sublinhando que era «estúpido» vincular o seu governo com a organização separatista ETA e com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).
«Porque não perguntam a Felipe González [ex-presidente de Espanha] porque é que fez esse acordo com Carlos Andrés Pérez [ex-presidente da Venezuela], pelo qual chegou um grupo de pessoas que eram da ETA e agora são venezuelanos, têm filhos e netos e estamos seguros de que não estão participando em nenhuma actividade de terrorismo?», interrogou.
Por outro lado, Chávez admitiu que se encontrou pessoalmente com o falecido líder das FARC, Raul Reyes, a pedido do ex-presidente colombiano, Andrés Pastrana, e também com um líder do Exército de Libertação Nacional da Colômbia.
«Recebi-os sendo presidente da Venezuela, em segredo e pela porta de trás», disse.
As relações entre Venezuela e Espanha passam por momentos de tensão depois de, a 1 de Março último, o governo de Madrid ter pedido explicações ao executivo venezuelano sobre a alegada cooperação que terá mantido com a ETA e com as FARC.
O pedido de explicações ocorreu depois de o juiz da Audiência Nacional Eloy Velasco acusar seis membros da ETA e sete membros das FARC de terem preparado o assassínio de personalidades colombianas em Espanha.
Hugo Chávez disse ser «temerária e irresponsável» a acusação do juiz espanhol e sublinhou que o governo venezuelano «não apoia nenhum grupo terrorista».
Por outro lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros venezuelano, Nicolas Maduro, criticou o juiz Eloy Velasco, que referiu que os 13 membros da ETA e das FARC beneficiaram de uma "cooperação governamental venezuelana".
Nicolas Maduro acusou o juiz de estar "associado à máfia" do ex-primeiro ministro espanhol conservador José María Aznar, ao "pior" do Partido Popular, na oposição em Espanha, e aos "sectores da extrema direita".
A 06 de Março os governos espanhol e venezuelano emitiram um comunicado para expressar a vontade de continuar a luta contra a ETA e de colaborar com a justiça espanhola para esclarecer uma eventual relação entre o grupo terrorista e as FARC colombianas.