O primeiro-ministro mostrou-se, esta segunda-feira na Alemanha, convencido de que a revolução do 25 de Abril em Portugal e a transição para a a democracia em Espanha ajudaram de algum modo à queda do Muro de Berlim, há 20 anos.
Para José Sócrates, que participou esta segunda-feira nas comemorações do 20º aniversário da queda do Muro de Berlim, esse acontecimento «significou um novo paradigma mundial e obrigou todos os políticos a alterar o seu mapa mental» e a forma de entender o mundo.
«Alguns também previram um mundo mais unipolar, mais concentrado ou concebido com base na pax americana, da concentração num único bloco, num único país, mais influente em todo o mundo», referiu.
«Quem sai vitorioso deste movimento é o multilateralismo, as Nações Unidas e os valores da resolução pacífica dos conflitos através da negociação e da diplomacia», prosseguiu, em declarações aos jornalistas portugueses.
José Sócrates disse ainda que tem o «privilégio» de pertencer a uma geração que viveu o 25 de Abril de 1974 em Portugal, a queda do Muro de Berlim e a abertura das fronteiras na Europa, considerando a Revolução dos Cravos pioneira em relação aos movimentos democráticos no leste europeu.
«Há muitos que dizem com justiça que as revoluções democráticas precursoras do movimento que levou à queda do Muro foram as revoluções ibéricas as revoluções democráticas em Portugal e em Espanha, e eu faço essa leitura histórica», afirmou.
Na opinião do Chefe do Governo, as revoluções na Península Ibérica «alargaram o espaço de influência das democracias e contribuíram para que a ideia democrática florescesse e se desenvolvesse».
As revoluções democráticas que se seguiram, culminando na queda do Muro de Berlim, «beberam na inspiração portuguesa e na inspiração espanhola», acrescentou o chefe do governo português.