A eurodeputada socialista Edite Estrela considerou, esta quarta-feira, «inquisitórias» as palavras de Mário David, vice-presidente do Partido Popular Europeu, para quem José Saramago devia renunciar à nacionalidade portuguesa.
A propósito do seu último livro, José Saramago afirmou que a Bíblia é um «manual de maus costumes» e um «catálogo de crueldades», o que suscitou várias críticas, entre as quais a de Mário David.
Antes da votação no Parlamento Europeu de uma resolução sobre a liberdade de imprensa em Itália, Edite Estrela disse que, com o que Mário David escreveu no seu blog, fica «claro quem ataca a liberdade de expressão».
O eurodeputado Mário David «mostrou a sua intolerância e atitude inquisitorial ao solicitar ao escritor José Saramago, Prémio Nobel da Literatura, que renuncie à nacionalidade portuguesa», disse Edita Estrela perante os eurodeputados.
O Parlamento Europeu votou também uma proposta de alteração que refere especificamente o cancelamento do Jornal Nacional de sexta-feira da TVI.
A alteração ao texto da proposta dos socialistas, liberais, verdes e esquerda unitária refere que «houve suspeitas graves de interferência nos meios de comunicação por parte do primeiro-ministro português e do Partido Socialista relativamente às edições de jornais e canais de TV (por exemplo, o cancelamento do programa noticioso nacional mais popular - o "Jornal Nacional" - alguns dias antes das eleições legislativas)».
Os eurodeputados que propõem a alteração - Mário David e Carlos Coelho - referem ainda «acções judiciais intentadas contra jornalistas com opiniões discordantes do governo» como exemplo de atentados à liberdade de imprensa.
A proposta foi recusada pelo Parlamento Europeu.