A TAP propôs, esta quarta-feira, o congelamento das progressões nas carreiras e o corte do pagamento de horas extraordinárias aos funcionários. À TSF, Vítor Mesquita, do SITAVA, já admitiu que os trabalhadores podem avançar com uma greve.
A administração da TAP propôs, esta quarta-feira, aos sindicatos dos trabalhadores da empresa o congelamento das progressões nas carreiras e o corte do pagamento de horas extraordinárias, para ajudar a empresa a enfrentar a alta dos preços dos combustíveis.
Em comunicado, a TAP informa que, no âmbito do Plano Contra a Crise dos Combustíveis, apresentou esta quarta-feira aos sindicatos um conjunto de medidas que contribuem para a «minimização da crise» dos combustíveis.
A parte fixa dos salários não será mexida e a transportadora promete também não aumentar as cargas de trabalho, face ao que acontecia até agora.
A companhia, que até Maio já tinha acumulado prejuízos de 102 milhões de euros, afirma que irá garantir a totalidade dos postos de trabalho, mas defende que é preciso que todos os funcionários cooperem para que a empresa consiga «ultrapassar a crise».
As medidas propostas e que implicam a suspensão do acordo de empresa em vigor por um ano vão agora ser sujeitas a um «diálogo necessariamente breve» entre sindicatos e administração da empresa, adianta.
Entretanto, ouvido pela TSF, Vítor Mesquita, do Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA), não escondeu a indignação perante a proposta e acusou a administração da TAP de estar apenas com os olhos postos nos lucros, à custa dos trabalhadores.
A empresa pretende «reduzir os vencimentos das pessoas para possivelmente depois apresentar lucros no fim do ano e dizer que foram atingidos os objectivos», disse, recusando que as medidas propostas pela TAP visem enfrentar a crise dos combustíveis.
O sindicalista acusou ainda a administração da transportadora de querer «cortar com tudo o que foi estipulado no acordo de empresa», alertando que algumas medidas vão contra a própria legislação do trabalho, como por exemplo a definição de horário nocturno.
Na próxima segunda feira todos os sindicatos que representam os trabalhadores da TAP vão reunir para analisar esta proposta da empresa, mas Vítor Mesquita admite desde já que a hipótese de convocar uma nova greve pode voltar a estar em cima da mesa.