O ministro da Agricultura Jaime Silva reconheceu, esta quarta-feira, «a importância e a tradição» do sector piscatório, mas considerou que «ajudas nacionais ou directas não resolvem o problema causado pelo aumento do preço dos combustíveis».
No entanto, o ministro referiu a possibilidade de «minorar o impacto negativo» desse aumento através da «antecipação do pagamento de ajudas», não concretizando prazos nem montantes.
Jaime Silva falava no Ministério da Agricultura, em Lisboa, após uma reunião com associações representativas do sector das pescas de todo o país.
«São necessárias medidas de médio e longo prazo e não soluções de curto prazo», afirmou Jaime Silva, apesar de admitir que «o sector das pescas vive uma situação muito difícil decorrente do aumento do preço dos combustíveis,
justificando-se uma discriminação positiva».
Apesar destas palavras, o ministro afirmou que o Governo não vai aplicar medidas de excepção que, por beneficiarem o sector das pescas, o colocariam «em situação de desigualdade face aos outros sectores».
Ainda segundo o governante - que prometeu levar a Bruxelas os problemas hoje apresentados pelos representantes dos pescadores e dos armadores -, «a política comunitária não permite interferências que acabariam por afectar a lógica da concorrência» entre os Estados-membros.
No plano nacional, «a haver uma ajuda, teria de ser uma ajuda a todos os sectores, pois medidas de apoio apenas às pescas não colheriam, seguramente, o apoio da opinião pública», afirmou ainda Jaime Silva.
Questionado acerca da manutenção da greve do sector, que tem início sexta-feira, o ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, declarou que «o objectivo da reunião não era a desconvocação da greve».
Não obstante, a paralisação «não será boa para o sector nem para o País», afirmou.