O PSD pretende que o Governo explicou porque aceitou este negócio PT/Telefonica e não o anterior. O Bloco de Esquerda realçou que o uso da "golden share" acautelou o «interesse público».
O deputado social-democrata Pedro Duarte desafiou, esta quarta-feira, o Governo a explicar a utilização da "golden share" para vetar o negócio PT/Telefonica para o depois o aceitar após confirmada a entrada no capital da Oi.
«Não compreendemos a mudança de posição do Governo face a umas semanas atrás, porque estamos a falar basicamente de um negócio que é similar ao que estava a ser acordado e desta vez não tivemos o Governo a impedir e a obstaculizar a decisão dos accionistas», lembrou.
Este parlamentar adiantou ainda que o PSD é «coerente» nas posições que toma, o que permite ao partido conforto na explicação destas posições, ao contrário do Governo que terá «mais dificuldades em justificar porque é que, perante basicamente o mesmo negócio, teve uma atitude radicalmente diferente».
«Da nossa parte, evidentemente que saudamos que se tenha criado uma saída para o impasse que foi criado pela intervenção do Estado há umas semanas atrás», sublinhou o parlamentar social-democrata, em declarações à TSF.
Também numa reacção a este negócio, o Bloco de Esquerda realçou o facto de a utilização da "golden share" ter permitido que o «interesse público fosse acautelado em detrimento do interesse imediato dos accionistas».
«O mesmo Governo que diz que na PT o uso da golden share é bom e o recurso é importante para a defesa do interesse público é o mesmo que se prepara para levar à prática um ruinoso plano de privatizações do sector energético», recordou Helena Pinto.
A deputada bloquista frisou que a Galp, REN e EDP «são empresas estratégicas» e que nestes casos não foram acauteladas «'golden shares' por parte do Estado».