O Banco de Portugal diz que as dificuldades dos bancos em aceder ao financiamento «agravaram-se substancialmente» e que os critérios para emprestar vão continuar a aumentar.
As perturbações no acesso dos bancos aos mercados de financiamento «agravaram-se substancialmente» no segundo trimestre deste ano, e deverão continuar a agravar-se no terceiro trimestre deste ano, indicou o Banco de Portugal esta quarta-feira.
As perturbações no acesso dos bancos aos mercados de financiamento «agravaram-se substancialmente» no segundo trimestre deste ano, e deverão continuar a agravar-se no terceiro trimestre deste ano, indicou o Banco de Portugal esta quarta-feira.
De acordo com o inquérito onde participaram cinco grupos bancários portugueses, o Banco de Portugal aponta que «as perturbações nos mercados de financiamento por grosso agravaram-se substancialmente ao longo do segundo trimestre de 2010», sendo que «esta deterioração foi transversal a todos os mercados em análise».
A maioria das instituições reportou ao regulador que houve uma deterioração considerável na sua capacidade de acesso ao mercado monetário sem garantia a curto e muito curto prazo. A situação foi semelhante no que diz respeito aos mercados de títulos de dívida, a curto, médio e longo prazo.
O acesso ao mercado de titularização de empréstimos também sofreu um agravamento, mas menos pronunciado que nos restantes mercados.
Nas perspectivas para o semestre de Julho a Setembro, os bancos esperam «uma ligeira deterioração nas condições de acesso ao mercado monetário e uma forte deterioração no mercado de dívida» e também do mercado de titularização de créditos.
Ainda segundo o Banco de Portugal, Os bancos endureceram os critérios para emprestar a famílias e empresas no segundo trimestre do ano e antecipam que as exigências voltem a aumentar durante o terceiro trimestre.
Segundo o inquérito, o grau de restrição foi mais intenso no segundo trimestre que no trimestre anterior, tendo aumentado em todos os segmentos e maturidades no que diz respeito ao crédito às empresas.
Quanto aos particulares, apesar de em menor grau, os bancos foram mais restritivos nos critérios para conceder os empréstimos.
Na prática, a alteração dos critérios traduziu-se, explica o banco central, «num aumento dos ?spreads? aplicados, especialmente nos empréstimos de maior risco, bem como no aumento da exigência das outras condições contratuais».
Para o trimestre de Julho até final de Setembro, os grupos bancários antecipam critérios «mais restritivos» para conceder crédito às empresas, em todos os segmentos, com especial foco nos empréstimos a longo prazo.
As famílias também deverão sofrer um aumento das exigências nos bancos, em especial no que diz respeito aos critérios para aprovar os empréstimos, quer para aquisição de habitação, quer nos empréstimos para consumo e outros fins.
Os bancos antecipam ainda que a procura de financiamento das empresas junto da banca se mantenha, mas que diminua no caso das famílias.