O Sindicato dos Quadros Técnicos lembra que este acordo já foi várias vezes alterado, mas mesmo assim está disposto a negociar caso o Governo decida equilibrar as coisas.
O presidente do Sindicato dos Quadros Técnicos discorda da antecipação da convergência total entre o regime de aposentação do regime geral dos trabalhadores do Estado e a Segurança Social em dois ou três anos.
Ouvido pela TSF, Bettencourt Picanço lembrou que o acordo que prevê a aproximação entre os dois sistemas já sofreu várias alterações, o que põe em causa a credibilidade do Executivo nesta questão.
«São alterações demais para merecerem a credibilidade. Alguém que faz um acordo e pouco depois promove a sua alteração unilateral ou propõe outra alteração manifestamente não faz com seriedade que mereça credibilidade», acrescentou.
Apesar de este tipo de atitude fazer com que os trabahadores acreditem no futuro, Bettencourt Picanço diz-se mesmo assim disposto a negociar caso o Governo «ponha no outro prato da balança alguma coisa que equilibre aquilo que vai penalizar os trabalhadores».
«Se o Governo só põe em cima da mesa penalizações, como é óbvio, os trabalhadores não estão na disposição de continuar a ser os sacrificados no altar daquilo que o Governo acha que é o controlo do défice», adiantou.
Para este sindicalista, o Governo deveria propor «actualizações salariais, actualizações de pensões, alterações das carreiras, alterações na avaliação de desempenho» para compensar a antecipação desta convergência, que inicialmente estava prevista para 2015.
Já Nobre dos Santos, da FESAP, acredita que esta ideia do Governo poderá levar a uma subida da contestação social e espera que o Governo não a concretize sem a negociar de forma séria com os sindicatos.
«Há compromissos que foram estabelecidos e que devem ser cumpridos no quadro de 2010. No quadro subsequente (2011 a 2013), se quiserem fazer alterações é evidente que tem de passar por negociação e não pela imposição unilateral do Governo», explicou.
Num encontro com o Governo, onde se discutiram os aumentos salariaios, Nobre dos Santos pediu esclarecimentos ao Governo sobre a questão da convergência total para a aposentação, mas disse não ter tido qualquer resposta por parte do Executivo.