Os patrões não saíram muito satisfeitos da reunião com o Governo sobre o PEC. Os sindicatos criticaram os aumentos salariais e as novas regras para o subsídio de desemprego.
A Confederação do Comércio de Português considera que o Programa de Estabilidade e Crescimento é um documento pobre e quase omisso no que toca ao incentivo ao crescimento da economia.
À saída de uma reunião com o Governo, onde o PEC foi apresentado aos parceiros sociais, João Vieira Lopes disse que esperava que as «alterações fiscais e outras» viessem a «discriminar positivamente» as Pequenas e Médias Empresas, onde se vai criar emprego.
Para a Confederação da Indústria Portuguesa, este documento é globalmente positivo, contudo, António Saraiva assinalou a «desconfiança que vem do passado», muito embora, seja aqui também «necessário inovar».
«Também aqui temos de saber encontrar caminhos que alterem este estado e esta dicotomia do bem e do mal, de patrões e empregados e a crispação social não nos levará a lado nenhum», afirmou o presidente da CIP.
Já o secretário-geral da UGT, João Proença, frisou que «se houver tentativas de impor um congelamento social na Administração Pública e no sector empresarial do Estado e de assistirmos a uma situação de a negociação colectiva no sector privado estar muitas vezes bloqueada é evidente que os tempos vão ser duros e vai haver contestação social».
Por seu lado, o secretário-geral da CGTP lembrou que «há dois anos houve aqui um compromisso em que ficou assente um conjunto de mecanismos que teoricamente iriam resolver qualquer problema desde logo pela acção do IEFP de acompanhar o percurso de cada desempregado que permitisse que o desempregado se prolongasse no subsídio de desemprego».
«Os serviços não funcionam e agora virá alguma medida que deve ser, de certeza, cortar direitos aos desempregados», acrescentou Carvalho da Silva, que diz que o PEC só serve para manter e agravar a crise.