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Portas desafia primeiro ministro a «tocar no seu próprio salário»

O líder do CDS-PP, Paulo Portas, desafiou José Sócrates a «dar o exemplo» e para reforçar a «autoridade política» de que necessita para congelar os salários da função pública.

O líder do CDS-PP, Paulo Portas desafiou, esta quarta-feira, o primeiro ministro a «tocar no seu próprio salário» para «dar o exemplo» e para reforçar a «autoridade política» de que necessita para congelar os salários da função pública.

«Está disposto a tocar no seu próprio salário, no salário dos ministros, dos deputados, do Presidente da República, dos presidentes de câmara, nos Governos regionais, dos gestores públicos, dos dirigentes dos institutos públicos (...) e deixo-lhe a sugestão de abdicarmos todos do 13º mês», perguntou o líder do CDS-PP no debate parlamentar sobre o Orçamento do Estado.

Para Paulo Portas, José Sócrates tem «um problema de autoridade política» ao ter decidido em 2009 «dar um aumento de 2,9 por cento à função pública, sabendo que a inflação seria baixa» decidindo logo no ano seguinte «um aumento zero generalizado».

Em resposta, José Sócrates qualificou a proposta do líder popular como «excessiva, demagógica e populista».

«O que eu acho justo - e foi isso que propusemos - é que os políticos tenham os mesmos aumentos que todos os funcionários públicos. A sua proposta - para ser completamente honesto consigo - parece-me excessiva, demagógica e completamente populista (...) O senhor está apenas a pensar em votos, não está a pensar em nada que resolva os problemas do país», salientou.

E devolveu a acusação de falta de «autoridade política» lembrando o apoio do líder popular à alteração à Lei das Finanças Regionais que terá «um impacto de 150 milhões no Orçamento».

«Que lindo serviço que presta ao país na exposição aos mercados internacionais. Começamos o debate do Orçamento com 8,3 do défice e saímos uma hora depois com 8,4», salientou.

No debate, Paulo Portas acusou ainda o Governo de se preparar para gastar este ano «mais 1135 milhões em subsídios, aumentos de capital e empréstimos às empresas públicas».

«Tem alguma conferência de imprensa marcada para hoje à noite ameaçando demitir-se porque alguém do seu Governo decide aumentar em 7,8 por cento este ano os aumentos de capital das empresas públicas ?», ironizou.

Em resposta, José Sócrates clarificou que se tratam de dotações de capital referentes a obrigações relativas à prestação de serviço público das empresas, sobretudo as de transportes.

«Mal seria se agora o Governo se pusesse a disfarçar aquilo que têm a obrigação de pagar (...) isso seria desorçamentar», salientou.

Paulo Portas questionou ainda o chefe do Governo sobre a intenção do Executivo de realizar «um processo de consultas sério com os partidos» em relação ao Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), tendo José Sócrates esclarecido ser intenção do Governo «fazer várias reuniões» nesse sentido.


 

 


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