A Camargo Corrêa anunciou hoje a compra da totalidade da posição da Teixeira Duarte na Cimpor (22,17 por cento), pagando 6,5 euros por acção.
Após o anúncio, as acções da Teixeira Duarte e da Cimpor voltaram a negociar, com os títulos da cimenteira a arrancar em ligeira baixa.
Com esta aquisição, o grupo brasileiro torna-se no maior accionista individual da cimenteira portuguesa.
De acordo com o comunicado divulgado pela Camargo, nos termos do acordo com a Teixeira Duarte, a esta posição poderão, eventualmente, acrescer até mais 3 por cento do capital da Cimpor detidos por terceiros.
A empresa sublinha que, desde que apresentou a sua proposta de fusão à Cimpor, que vem reiterando, «sistemática e consistentemente», o seu continuado interesse e empenho em prosseguir uma estratégia que permita lançar as bases de um projecto industrial sustentado.
«A Camargo Corrêa reafirma e materializa hoje, de forma clara e inequívoca, esse interesse», refere.
A aquisição desta participação é, assim, «um testemunho da confiança no futuro da Cimpor».
Traduz ainda, de acordo com o grupo brasileiro, «a vontade séria» de estabelecer uma presença «duradoura», num quadro de estabilidade accionista, «como parceiro de todos os que pretendam o reforço de uma Cimpor portuguesa mas de ambição e presença internacional, profissional e independente».
Entretanto, decorre até dia 17 uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a Cimpor, lançada pela também brasileira CSN e que a administração da cimenteira portuguesa já rejeitou.
As acções da Cimpor fecharam na terça-feira na Euronext Lisboa a valerem 5,8 euros e as da Teixeira Duarte 0,9 euros.
Nuno Serafim, analista da correctora IG Markets, considera que, com este negócio, pode ter chegado ao fim a OPA que tinha sido lançada pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) sobre a Cimpor.
«As condições para uma OPA estão agora mais dificultadas para a CSN, até porque a Camargo sempre se colocou no lado oposto da barricada nesta guerra pela Cimpor. Com esta compra de 20 por cento da posição da Teixeira Duarte - a 14 por cento acima do que as acções estão a quotar - é essa a conclusão a que podemos chegar», sugeriu o especialista.