O responsável pelos estudos laborais da Organização Internacional do Trabalho (OIT) considera que os problemas do mercado de trabalho não se limitam aos desempregados.
O responsável pelos estudos laborais da Organização Internacional do Trabalho (OIT) considerou, esta terça-feira, que os problemas do mercado de trabalho não se limitam aos 35 milhões de pessoas que perderam o emprego na sequência da actual crise económica.
«A magnitude dos problemas do mercado de trabalho é maior do que os 35 milhões de pessoas que perderam o emprego, pois há muitas outras pessoas que conseguiram encontrar um emprego, mas de pior qualidade», alertou o director do Instituto de Estudos Laborais da OIT, Raymond Torres.
Raymond Torres, que veio a Lisboa dar uma conferência sobre “A crise global do emprego”, referiu que, sobretudo nos países em desenvolvimento, muitos dos desempregados encontraram um trabalho informal ou a tempo parcial, o que lhes dá rendimentos inferiores aos que auferiam antes.
«Em cada ano têm que ser criados cerca de 45 milhões de empregos para se manter o equilíbrio no mercado de trabalho», disse.
Segundo o responsável da OIT, quanto mais tempo as pessoas permanecerem em situação de desemprego maior é o risco de não voltarem ao mercado de trabalho, sobretudo os trabalhadores mais velhos. «Este risco já existe, nomeadamente em Portugal», frisou.
Raymond Torres considerou que são precisos cerca de cinco anos para sair da crise e definiu alguns desafios para a ultrapassar.
Salientou o «desafio laboral e social», para reduzir o desfasamento entre o crescimento económico e o emprego, e defendeu que se deve "evitar o rigor fiscal prematuro e concentrar os plano fiscais no emprego e na protecção social activa».
O terceiro desafio referido foi a reforma do sistema financeiro como forma de melhorar as perspectivas de emprego e fiscais a curto prazo.