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Clientes do BPP mantêm-se nas instalações da sede, no Porto

 
Doze clientes do Banco Privado Português (BPP) mantêm-se nas instalações da sede da instituição, no Porto, decididos a prosseguir «até poderem» o seu protesto e reclamando uma solução que lhes permita acederem às poupanças que têm no banco. Do fim da tarde e da madrugada, sobram queixas sobre o comportamento da Polícia de Segurança Pública.

 

 

Doze clientes do BPP permanecem, esta terça-feira, na sede do banco do Poro. O grupo era de dezasseis pessoas no início da manhã desta tareça-feira e mantém-se dentro das instalações desde a tarde de ontem, altura em que dezenas de pessoas invadiram as instalações para reivindicar o acesso às suas poupanças no banco.

Ao fim da tarde de protesto, a maior parte dos clientes saiu para se abastecer de alimentos mas, no regresso, a polícia já não os deixou regressar. De acordo com um dos clientes do BPP, Júlio Fonseca, a Polícia de Segurança Pública (PSP) foi «dura» nesse momento, garantindo mesmo ter sido atacado com gás mostarda.

«Nós estávamos no banco e resolvemos ir tomar um café. Depois do café voltámos ao banco e a entrada foi-nos vedada pela polícia. De facto, fizemos um pouco de força para entrar e foi quando fomos agredidos com gás mostarda. Foi uma coisa completamente desproporcionada em relação à nossa acção», critica o cliente.

As queixas sobre o comportamento da PSP face ao protesto acumulam-se. Um outro cliente do BPP, Fernando Carneiro, garante ter sido expulso pela polícia da instituição bancária enquanto recebia mantimentos que havia solicitado com autorização dos agentes.

«Fui agredido cerca da uma e meia da manhã quando pedi ao comissário Tiago Gonçalves que me deixasse entregar alimentos de fora porque havia pessoas com bastante idade. Ele disse-me que sim e quando eu me aproximei do portão que estava semi-aberto para receber os alimentos, empurrou-me brutalmente expulsando-me do banco», relata Fernando Carneiro.

O cliente do BPP assegurou ter ficado «com um dedo ferido», pelo que pretende «apresentar queixa do agente» responsável pela alegada agressão.

Entretanto, a PSP avançou à Agência Lusa a informação de que os clientes que se encontram na sede do BPP têm acesso a bens essenciais como medicamentos e alimentos básicos, o que contraria o que tem vindo a ser dito pelos clientes que ainda estão dentro do banco. 

Os manifestantes iniciaram na segunda-feira um protesto no interior da sede do banco no Porto, onde pretendiam manter-se indefinidamente, prometendo não desmobilizar até à apresentação de uma solução definitiva para as suas poupanças.

De acordo com o BPP, citado pela Agência Lusa, o «pequeno grupo» acedeu às instalações «a pretexto de uma reunião que estava marcada entre um desses clientes e uma gestora do banco» e terá agido «à revelia das associações de clientes constituídas».

Terão recebido ordem de evacuação cerca das onze horas, depois de «proferirem várias ameaças aos colaboradores do banco» e, já a meio da tarde, alguns «forçaram o portão de entrada nas instalações, impedindo dessa forma qualquer tipo de controlo sobre entradas e saídas».

Depois de ter tentado, «sem sucesso, estabelecer pontes de diálogo» com o grupo, a administração «solicitou às autoridades policiais que interviessem no sentido de repor a legalidade, promovendo a retirada das pessoas que ocupavam a instituição».

Os clientes do BPP já se manifestaram no interior da sede do BPP por várias vezes. No mês passado, aí se concentraram para assinalarem os 12 meses que passaram desde que o Banco de Portugal negou o pedido de financiamento de João Rendeiro.

Foi a 24 de Novembro de 2008 que Vítor Constâncio anunciou que o Banco de Portugal deu parecer negativo ao pedido de garantias estatais para um financiamento de 750 milhões de euros ao BPP, solicitado por João Rendeiro, levando à intervenção das autoridades no banco, que actualmente ainda se mantém.


 

 


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