Os economistas Manuela Arcanjo e António Nogueira Leite entendem que é possível que se aumente os impostos em 2011. Contudo, Bagão Félix não concorda com essa hipótese e diz que os portugueses não suportam mais aumentos de impostos.
A economista Manuela Arcanjo entende que poderá ser inevitável um aumento de impostos em 2011, uma situação que seria «indesejável» e «incomportável para os portugueses» se fosse aplicada em 2010.
À TSF, a antiga secretária de Estado do Orçamento lembrou que não existe «muita margem em grandes rúbricas da despesa a não ser que o Governo decidisse cortar em todas as áreas sociais», quando o Governo iniciar o esforço de consolidação.
«Diria que um esforço de consolidação até ao final da legislatura pode exigir aumento de impostos para além de outras opções em termos de despesa. Não pretendo ser pessimista, mas nós vamos ter anos muito maus nos próximos tempos», explicou.
Esta economista considerou ainda que o ministro das Finanças deu uma explicação curta e confusa para explicar a necessidade da existência de um orçamento rectificativo e que um aumento de cinco mil milhões de euros neste orçamento dificilmente é explicado apenas com uma quebra das receitas.
António Nogueira Leite também concorda com esta possibilidade, mesmo que o Governo carregue na carga fiscal de forma disfarçada, ao «reduzir isenções, mexendo nos escalões do IRS» não fazendo assim um aumento de taxas.
Este ex-secretário de Estado do Tesouro e Finanças criticou ainda a oposição por apresentar apenas propostas para «tornar as nossas contas públicas piores porque caímos no exercício de hipocrisia dos responsáveis públicos».
Nogueira Leite lembrou que estes pediram «mais despesa sem mais receita que é o que está implícito na maior parte das propostas que fazem e depois criticam o Governo por ter uma situação totalmente descontrolada».
«Acho que o Governo deve ser criticado por ter uma situação totalmente descontrolada, mas a oposição também tem de ser criticada pela irresponsabilidade das várias propostas que tem vindo a fazer», acrescentou.
Já Bagão Félix não partilha da ideia da necessidade de um aumento de impostos e explicou que «continuar a insistir na consolidação orçamental do lado do aumento dos impostos e não do lado da despesa é apenas adiar o problema e torná-lo mais difícil de resolver».
«O país não pode suportar mais aumento de impostos. Já estão no limite. Impostos sobre empresas, pessoas e sobre o consumo... chegámos ao limite», explicou este ex-ministro das Finanças, que não exclui no entanto um aumento do imposto sobre as mais-valias bolsistas.