A ministra do trabalho, Helena André, não exclui que no futuro a legislação laboral venha a incluir algumas regras da flexisegurança, uma estratégia aplicada nos países nórdicos, que permite por exemplo uma menor rigidez nos horários de trabalho.
A ministra do Trabalho Helena André, que vai estar na antena da TSF ao final da tarde para uma entrevista, respondeu, esta manhã a duas perguntas, uma vinda dos patrões pela voz de Rocha de Matos, presidente da CIP, e outra dos sindicatos feita por João Proença, da UGT.
Rocha de Matos, o presidente da Associação Industrial Portuguesa, quis saber se a ministra considera que a actual legislação laboral aumenta a competitividade da economia portuguesa e até que ponto a flexisegurança, com as devidas adaptações, poderá fazer parte do mundo empresarial português.
A ministra Helena André respondeu que a «flexisegurança» se for bem enquadrada pode ser um factor decisivo para aumentar «a competitividade das empresas e ao mesmo tempo contribuir para aumentar a segurança dos trabalhadores».
«É errado pensar que só as empresas precisam de flexibilidade, por exemplo na forma como organizam o trabalho para poderem reconciliar a vida profissional com a vida privada e familiar».
Helena André foi também confrontada com uma questão de Francisco Vanzeller, presidente da Confederação Portuguesa da Indústria, que questionou a ministra sobre a criação de um quadro legal para que as empresas possam substituir trabalhadores desmotivados e inadaptados por outros mais jovens e com maiores habilitações e caopazes de cumprir os objectivos das empresas.
Helena André considerou que não se deve responsablizar apenas os trabalhadores mais velhos.
«Pensarmos que os trabalhadores com mais idade são trabalhadores que estão desmotivados é para mim uma análise que não é correcta, aliás também não podemos pensar que a resolução dos problemas dos jovens no acesso ao mercado de trabalho se faz com a saída dos mais velhos», afirma.
Dos patrões para os sindicatos, João Proença está preocupado com as medidas de combate à crise e com o «desemprego insustentável».
O secretário-geral da UGT desafiou a ministra a responder que «em que medida há a vontade de continuar e reforçar» as iniciativas do Governo nesta área, em especial no que respeita à protecção dos desempregados.
«É preciso não esquecer que o Governo foi dos primeiros na Europa a responder com um pacote de medidas anti-crise, vigorou durante 2009, agora temos de avaliar o impacto e ver se há necessidade de readaptar-las à nova realidade», afirma Helena André.