Os bancos podem começar a usar, a partir desta terça-feira, os 20 mil milhões de euros de garantias a empréstimos interbancários, com os quais o Estado pretende estimular a confiança na banca.
Na análise de Paulo Soares de Pinho, especialista em Banca e Finanças da Universidade Nova de Lisboa, para que estas garantias não se transformem num “cheque em branco” ao sector devem «ter um preço».
«Não queria estar no papel da pessoa» que vai fazer o preço das garantias porque, se «o fizer demasiado barato, o Estado será acusado de estar a dar um subsidio à actividade bancária e, se o vender demasiado caro, os bancos não quererão comprar esse seguro, porque, na prática, conseguirão beneficiar-se sem recurso a essa garantia», explicou.
Na opinião de Paulo Soares de Pinho, «o preço dessa garantia deve ser diferente de banco para banco», na medida em que «quanto maior for o risco de um banco, mais ele deve pagar».
O especialista alertou ainda que o tipo de crise como a que o mundo atravessa demora «dois a três anos a passar», sendo que só daqui a sensivelmente três anos é que se poderá sentir os ventos de retoma, após uma reestruturação dos bancos e dos instrumentos de regulação do sector.
Por seu lado, o presidente da Associação Portuguesa de Bancos, João Salgueiro, defendeu que esta garantia vai repor a normalidade no mercado do crédito.
«Um banco pode estar em perfeita situação», mas não ter acesso aos mercados, porque estes pararam. Neste sentido, «o que interessava era, antes de mais, repor a normalidade nas relações entre os bancos e clientes e, por outro lado, tentar fazer com que o preço do dinheiro baixasse», já que «as pessoas estão a pagar muito pelos empréstimos», disse.
João Salgueiro disse ainda que, mesmo depois de curadas as feridas nos mercados financeiros, vai ser preciso esperar muito pela recuperação da chamada economia real.
«A opinião dominante é que a crise financeira está no princípio do fim, mas há também ameaças de crise económica», vincou, explicando que «quando há menor despesa dos consumidores, acaba por se gerar uma crise na actividade económica e, indirectamente, em toda a economia».